PÁGINA

No fim
Não existe mágica
Letras por aqui, ali e lá
Um ponto, uma frase
Várias frases, um parágrafo
Dois pontos, continuação
Reticências, falta de inspiração
Melodia na leitura das linhas
Não tem um segredo
Mesmo que as perguntas
nem sempre terminem
com pontos de interrogação
E se parar
Terrores planejam exclamações
Sentimentos não explicados
Sobra, só descobrir
a força do terremoto
Escombros por todos os lados
Carteiras vazias caídas pelo chão
Cigarros queimados até a metade
Esculturas de vidro
Estilhaçadas
Gritos que ecoam entre pedaços
Em meio à fumaça e poeira
Dentro de nós
A esmo
Prosa ou poesia
Uma busca imensurável
Sem saber o que encontrar
E não achar nada
Em mais nada acreditar
Nada mais querer
Procrastinar
Até já não ser nada
Não ser lembrado por ninguém
Só que toca uma música
Passa um filme
O Sol se põe no horizonte
Ouve o barulho das ondas
Paixão com vista pro mar
Acontece um momento
Difícil escrever
Mas a gente quer desvendar
Sempre nasce uma palavra
Dita, escrita ou jogada
Uma folha de papel amassada
Um lápis desapontado
Pontos se enfileiram
Manchas de algo que ainda não foi criado
Ainda nem existe
Acaba sempre na missão
Dar a vida à forma do verbo
Depois
Agonizando as dores
Puro ato de amar
Largar
Deixar
Libertar
Partir
Quebrar
Voltar
Aos sentimentos inexplicáveis
Explorar
Destroços de uma erupção vulcânica
Reviver
Vidas de um passado distante
Revelar
Segredos de um novo instante
Então
Procrastinar
Não fazer mais nada
Já mais nada ser
Esquecer de si mesmo
Não ser lembrado por ninguém
E ainda assim
Ressurgir na próxima página


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© 2018 by Emerson Machado.
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