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Absurdo!
Cheguei ao supermercado
e procurei por amor.
Andei entre gôndolas
e não encontrei nada.
Quando reclamei no caixa,
a atendente me olhou
com sorrisinho maroto.
Amor não tem.
Vermelho de raiva,
com tamanho desrespeito,
não aguentei.
Mas eu já comprei aqui!
Como assim não tem?
Ela explicou.
A produção estava fraca esse ano,
a colheita tinha sido perdida,
o que prejudicou o processamento.
E o frio também atrapalha.
Faz as pessoas correrem comprar,
para conseguirem sobreviver ao inverno,
o que acaba com os estoques.
Saí louco da vida.
Passei em outro lugar.
Mesma coisa.
Perguntei ao repositor,
no setor de doces.
Tem amor?
Meio tristonho, disse que não.
Tinha carinho,
mas o amor acabara há muito.
Não quis discutir a falta de amor.
Não estava disposto.
Saí esbravejando.
O que aconteceu?
Acabou todo o amor do mundo?
Era hora de tomar medidas desesperadas.
Peguei o telefone.
Liguei.
Pode me arrumar um pouquinho de amor?
Estou precisando muito!
Com desdém, riu que não podia.
O que tinha já estava no fim.
Se arrumar, fico sem.
Egoísmo que me tirou do sério.
Porra!
Vim embora amuado.
Sem amor, não posso dormir.
É um santo remédio.
Acalma, dá uma leveza no corpo.
Mas a noite será difícil.
Não tenho amor
no meu chá contra a dor.
Então, um apelo:
se souber quem tem,
ou onde vende,
entre em contato
urgentemente.
Posso pagar caro por ele.

***

© 2013 by Emerson Machado.
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