A Rua Número 12 - 3 de outubro

Aos que esperam.

Fernanda © by Jackson Oliveira

- 3 de outubro -
A autora



A Rua Número 12 não tinha e acho que ainda não tem nada de especial. É uma rua comum, como qualquer outra rua brasileira. Mas não quero falar sobre ela logo na primeira página... Vou contar a minha história aos poucos e quero aproveitar esta página para falar um pouco sobre mim. Quero que você conheça a autora.

Meu nome é Fernanda e eu tenho onze anos e meio. Era para eu ser uma menina comum, mas não é bem assim. Eu não moro numa casa como todo mundo. Não gosto de bonecas e meu melhor amigo é um cara de vinte e três anos chamado Pedro. Aliás, tenho mais dois melhores amigos, mas não os vejo há algum tempo...

Apesar de estar aqui há quase dois meses, só comecei a escrever agora porque foi antes de ontem que me passou pela cabeça a ideia de falar sobre mim e a Rua Número 12. Você com certeza está se perguntando então onde eu moro e por que não me acho uma garota comum como qualquer outra. É que eu moro num hospital.

Acho uma coisa totalmente desnecessária! Porque eu sei que vou morrer de qualquer jeito. Por que aqui no Brasil a gente não pode ficar em casa pra morrer? Isso me deixa indignada.

Desculpe se te assustei! Mas é o que eu penso. Afinal, eu preciso de um coração novo. E não é um coração qualquer. Eu sou pequena, bem pequena mesmo. Sem falar no meu tipo de sangue que não é comum também. Quanta diferença! Por que eu não podia ter só uma espinha como as garotas da minha idade? Ainda tem o fato de ser uma cirurgia delicada e eu posso não sobreviver a ela. Mas disso eu falo mais pra frente.

Enfim, vou escrever este livro para contar a história da Rua Número 12. Como disse acima, ela não tem nada de especial, mas foi onde eu passei grande parte da minha vida. Também vou falar um pouco aqui do hospital, da fila de espera que a gente tem de enfrentar quando precisa de um órgão, do meu amigo Pedro — ele tem leucemia; eu já tive e sei como é ruim, mas ele tem um ótimo senso de humor, mesmo doente —, do menino do apartamento 196 — que deve ir embora daqui a dois dias —, e de como tudo isso aqui é chato!

Não que eu quisesse diversão dentro de um hospital. Eu só queria ir pra casa. Queria ter uma casa. Quem sabe até uma casa de bonecas no jardim? Se bem que depois de A noiva de Chucky, não sou muito chegada a bonecas...

Ah! Esqueci de falar que eu também devo ter estar louca. Não sei. É que tem manhãs que eu vejo um pássaro cor-de-rosa na janela do meu banheiro. Digo que devo estar louca porque é difícil vermos pássaros em uma cidade tão grande como a que estou agora, e... Cor-de-rosa? Eu só posso estar delirando.

Agora preciso dormir.

É tarde, minha mãe está dormindo na poltrona ao lado da minha cama, o hospital está silencioso como de costume durante a madrugada. E isso me dá medo.


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